17.03.2009
Como a telemedicina pode transportar saúde

Fonte: Site Zero Hora - 17 de Março de 2009.

Telas de computadores e cabos de fibra óptica podem ser um remédio para amenizar o drama da ambulancioterapia, que todos os dias transporta um contingente de cerca de 6 mil pacientes do Interior à Capital em busca de atendimento médico. Para profissionais da área da saúde, o investimento em tecnologia de informação é um dos requisitos fundamentais para definir com segurança diagnósticos e tratamentos nos municípios de origem, evitando a peregrinação aos grandes centros.

Em Porto Alegre, um exemplo de como a tecnologia pode ser útil à saúde pública mudou a rotina de gestantes dos bairros Restinga, Lomba do Pinheiro e Navegantes. Em postos de atendimentos locais, elas agora podem fazer ultrassonografias transmitidas ao vivo para especialistas do Hospital Materno Infantil Presidente Vargas e não precisam mais ir à área central da Capital. Embora se trate da mesma cidade, muitas deixavam de fazer o exame antes, colocando em risco a sua vida e a do bebê.

Para o diretor da Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Ivan Carlos Antonello, iniciativas desse tipo também são bem-vindas no interior. Segundo ele, uma estratégia para amenizar o sofrimento de quem precisa se deslocar aos grandes centros para se tratar seria investir na instalação de computadores e conectá-los à internet em hospitais e postos de saúde do Interior. Beneficiados por parcerias com centros de saúde de referência, esses profissionais poderiam, com a ajuda de programas como o Skype e o MSN (de interação instantânea), recorrer virtualmente aos especialistas de Porto Alegre para se assegurar do diagnóstico e do tratamento destinado a cada paciente. Dessa forma, muitos dos encaminhamentos à Capital poderiam ser evitados.

– Esse parece ser um caminho. Resta saber se haveria interesse. Sabemos que o município, ao transferir um paciente, também transfere o custo dele. Muitas vezes, a ambulancioterapia é a solução mais fácil encontrada pelas prefeituras – avalia Antonello.

O presidente do Conselho Regional de Medicina (Cremers), Cláudio Franzen, concorda que a telemedicina poderia ajudar a diminuir a corrida em direção aos hospitais da Capital. Apesar disso, ele alerta para a necessidade de haver médicos preparados para usar essa tecnologia. Outra preocupação é a oferta de equipamentos apropriados.

– Colocar essa interação em prática é mais complicado do que parece, ainda mais quando se sabe que a política de saúde aplicada hoje está indo no sentido contrário ao da descentralização – afirma Franzen.

Para a vice-presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), Maria Rita de Assis Brasil, nem todos os exames, porém, podem ser feitos no Interior por falta de estrutura. Seria preciso que prefeituras e governo do Estado investissem em aparelhos de ecografia e de tomografia, por exemplo, para viabilizar a consulta virtual a médicos da Capital.

– Também não se pode esquecer do tratamento. Será que, mesmo que conseguissem obter o diagnóstico sem sair de sua cidade, os pacientes teriam o tratamento necessário no Interior? Sabemos que isso nem sempre acontece – diz Maria Rita.

Ministério da Saúde realiza programa-piloto no Estado

Um programa-piloto patrocinado pelo Ministério da Saúde e realizado em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) desde 2007 indica que a troca de informações via internet pode, sim, fazer a diferença. Ao todo, 43 municípios, abrangendo cerca de 500 mil pessoas, fazem parte do Projeto Telessaúde Brasil-RS.

Com um investimento inicial de R$ 1,8 milhão, a proposta levou cem computadores, impressoras e webcams a Unidades de Saúde da Família desses municípios. Em seguida, deu capacitação a médicos, enfermeiros e dentistas que atuam nesses estabelecimentos para que aprendessem a usar a internet e solicitassem consultorias para sanar dúvidas.

Assim, desde de 2008, os beneficiados passaram a trocar informações com médicos de família e profissionais de outras especialidades ligados aos hospitais Conceição e de Clínicas, totalizando 850 consultorias. Em conversas em tempo real, discutiram casos considerados complicados e, muitas vezes, concluíram que não havia a necessidade de mandar os pacientes a Porto Alegre, porque o problema podia ser resolvido ali mesmo, na sua cidade.

– Fizemos uma pesquisa e constatamos que 59% dos atendimentos que contaram com a consultoria virtual em 2008 livraram os pacientes de serem encaminhados a Porto Alegre ou a outros polos regionais. É um número muito expressivo e mostra o quanto iniciativas como essa podem ser importantes para acabar com a ambulancioterapia – resume um dos coordenadores do projeto, Eno Dias de Castro Filho.

O resultado deu tão certo, segundo o médico, que a ideia agora é duplicar o número de postos atendidos pelo projeto, com uma previsão de mais R$ 3 milhões em recursos por parte do ministério.

juliana.bublitz@zerohora.com.br

JULIANA BUBLITZ

 
 
17.03.2009
Consórcios de saúde

Fonte: Blog do Paulo SantAna - Site Zero Hora - 17 de Março de 2009.

Agora vi que os norte-americanos são mesmo um povo racista: entregaram o maior pepino dos últimos 80 anos para um negro descascar.

Abaixo, um exemplo de como as comunidades do Interior podem se organizar e constituir centros regionais de atendimento de saúde, dispensando assim a vinda dos pacientes para Porto Alegre.

Na coluna de ontem, eu já tinha afirmado que o certo é construírem-se polos regionais de atendimento.

Apenas sugeri a construção de albergues enquanto não se aparelha o Interior para atender seus próprios pacientes.

Pelo que está escrito abaixo, a solução da saúde pública gaúcha está neste modelo citado, sob todos os aspectos exitoso, com sede em Ijuí.

“Ao amigo Paulo SantAna.

Lendo tua coluna no dia de hoje, onde o amigo propõe para as prefeituras a construção de albergues em Porto Alegre, tomei a liberdade de enviar esta carta tecendo minha discordância com a proposta, pois desta forma iríamos estimular a centralização dos serviços especializados na Região Metropolitana. O que deve ser estimulado e feito é o fortalecimento dos consórcios de saúde, eles facilitam o acesso aos serviços mais complexos em locais onde eles não existem, de uma forma organizada, como ocorre na região de Ijuí. Há 12 anos, nós criamos o Cisa (Consórcio Intermunicipal de Saúde), que começou com 12 municípios e hoje conta com mais de 36, e oferece desde consultas de oftalmologista, urologista, traumatologista, indo até exames como ressonância magnética, tomografia, entre tantos outros necessários para um bom diagnóstico e um tratamento adequado. E, o melhor, aqui mesmo na região. E, além disto, dispõe de um pregão eletrônico de medicamentos que barateia em mais de 60% as compras de medicamentos para os municípios.

Sem esquecer da referência que temos na região que é o Hospital de Caridade de Ijuí. Este hospital tem serviço de hemodiálise, cirurgia vascular, de oncologia (tratamento do câncer) completo, que vai desde quimioterapia até braquiterapia e radioterapia, e atende mais de cem municípios, faz transplante de córnea, rim, e agora está colocando à disposição do SUS o serviço de cardiologia, que vai ter desde cirurgia cardíaca, hemodinâmica e colocação de marca-passo, o serviço já está funcionando, esperando apenas o credenciamento do SUS e vai atender uma região de mais de 1 milhão de pessoas.

Então, amigo Paulo SantAna, temos, sim, alternativas viáveis para evitar as ambulancioterapias e também, agora, a inovação mais recente, a onibusterapia. A alternativa é o fortalecimento dos consórcios de saúde. Isto deve ser reconhecido pelos gestores municipais, que, em vez de comprar ambulâncias e ônibus, devem se unir e criar serviços regionais. Mas parece ser mais fácil contratar motoristas e comprar veículos do que se organizar e facilitar o acesso de suas comunidades aos serviços de maior complexidade.

Um abraço e muita saúde e sucesso (ass.) Erlon Beck, delegado regional da 17ª Coordenadoria Regional de Saúde de Ijuí”.

 
 
17.03.2009
A criação de albergues

Fonte: Blog do Paulo SantAna - Site Zero Hora - 16 de Março de 2009.

O que me chamou a atenção na ótima reportagem que Zero Hora ofereceu a seus leitores na edição de ontem foi que as 4 mil pessoas que são despejadas nos hospitais e clínicas de Porto Alegre em apenas três horas de uma manhã, vindas do Interior, em procissões rodoviárias estafantes, vêm para cá por sua vontade própria.

Muitos dos pacientes poderiam ir buscar consultas e outros tipos de atendimento em outros centros regionais, como Pelotas, segundo disse a reportagem, mas preferem vir para Porto Alegre por considerarem que aqui há maior eficiência e rapidez nos serviços médicos.

Prestem bem atenção os meus leitores. Pela reportagem de ZH, não são as prefeituras do Interior que encaminham os pacientes para os hospitais e clínicas de Porto Alegre: são eles, pacientes, que elegem os hospitais de Porto Alegre como preferidos para seu atendimento.

E o resultado disso é que, em cada um dos cinco dias úteis da semana, são despejadas em Porto Alegre mais de 4 mil pessoas, cerca de 80 mil a 100 mil por mês, alarmando a todos o cortejo maciço de camionetas, micro-ônibus, ônibus etc., que nos fins das madrugadas afluem aos hospitais da Capital.

Resulta daí, inquestionavelmente, em face de que a acorrência em massa dos pacientes do Interior se dirige para Porto Alegre, sendo seletiva a escolha pelo atendimento na Capital, isto é, são os pacientes que preferem os hospitais daqui, que Porto Alegre paga este tributo por causa da excelência dos seus hospitais.

Logo, o estrangulamento, o que se chama de ambulancioterapia, se dá não por um defeito do atendimento médico em Porto Alegre, mas por sua virtude.

Se eu fosse prefeito do Interior, faria o mesmo: se meus munícipes se sentissem melhor em ser atendidos na Capital, iria mandá-los para cá, atenderia às suas vontades, até mesmo porque cabe à prefeitura apoiar o melhor atendimento aos pacientes que lhes são incumbidos.

Evidentemente que o correto será que se criem centros regionais de excelência em atendimento médico que visem à não-concentração dos serviços do Interior na Capital.

Mas, enquanto isso não se verifica, a criação de outros polos de atendimento em cidades mais importantes do Interior, é justo que se reconheça que os pacientes do Interior estão sendo bem atendidos aqui. Se não o fossem, não escolheriam ser atendidos aqui.

O problema maior agora não é médico, é de trânsito. Correm perigo no trânsito os pacientes que se deslocam para cá.

Teriam de ser construídos albergues em Porto Alegre, pelos próprios municípios do Interior ou pelo SUS, que evitassem a pressa e a vigília dos pacientes em suas travessias pelo Estado no rumo daqui, o que precipita os acidentes.

Isso precisa ser feito urgentemente.

 
 
 
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